Recusada em universidade, Isabella é a primeira estilista com síndrome de Down da história
Recusada em
universidade, Isabella é a primeira estilista com síndrome de Down da história
Atualizado em fevereiro de 2017
Isabella Springmuhl
nunca desistiu de seu sonho e hoje, aos 20 anos, é a primeira estilista com
síndrome de Down da história. A jovem guatemalteca já foi convidada para
apresentar uma coleção na Semana de Moda de Londres e integrou uma lista
elaborada pela BBC das 100 mulheres mais influentes do mundo em 2016. Nada mal
para quem foi impedida de entrar na universidade e começou fazendo roupas de
trapo para suas bonecas.

Em entrevista por e-mail ao Cultura Coletiva, a criadora da marca Down to Xjabelle (fotos abaixo) conta como foram seus primeiros
passos na carreira e a superação das adversidades. Leia a seguir:
Trajetória na moda
Minha mãe conta que quando eu era mais nova passava horas
folheando revistas de moda. Quando cresci, comecei a fazer roupas de retalhos
para minhas bonecas.
Atualmente faço um curso de corte e costura. Montei um
ateliê onde duas costureiras e duas bordadeiras confeccionam minhas peças. Eu
crio os desenhos, escolho os tecidos, as cores, formas e acessórios.
Minha inspiração é a natureza e as cores da Guatemala. As
tonalidades dos trajes indígenas são muito vivas e alegres. Uso apenas tecidos
tradicionais. Eles são confeccionados à mão pelas senhoras guatemaltecas, que
usam fios de algodão e seda em teares de cintura.
Com meu trabalho, fui convidada para participar como
estilista revelação na semana de moda de Londres. Foi uma enorme felicidade,
senti muito orgulho.
Vencendo o
preconceito
Ao me formar no ensino médio, tentei ingressar em faculdades
de moda, mas fui rejeitada por causa da minha condição genética. Foi uma muito
triste, eu fiquei devastada.
Já sofri preconceito diversas vezes na minha vida. Quando
pequena, não me aceitaram no balé por causa da minha condição. Depois, nas
universidades. Gosto de como sou, uma menina com síndrome de Down que ama o que
faz.
Quero que todos saibam que pessoas como eu podem fazer
muitas coisas, mesmo que nos custe o dobro de esforço. É importante não se
render e lutar, sempre seguindo em frente.
Moda inclusiva
Eu também desenho para pessoas com síndrome de Down. Sei
como é difícil encontrar roupas que nos vistam bem. Na maioria das vezes, somos
mais baixos, com pescoço largo e membros curtos. Então, faço peças adaptadas,
com bom caimento e que nos façam sentir bonitos.
Adoro me vestir bem e com roupas modernas. Se outros
estilistas soubessem como é bom usarmos peças legais, começariam a pensar mais
em nós na hora de desenhar as coleções.
