Drauzio Varella: Entenda mais sobre o câncer de próstata | Novembro Azul
O câncer de próstata, se diagnosticado precocemente, tem
grandes chances de ser curado. Para falar melhor sobre o assunto, nós
entrevistamos o Dr. Drauzio Varella,
especialista em Oncologia, que esclarece as dúvidas mais comuns sobre a doença.
A próstata é uma glândula que se situa no interior da
pélvis, encostada na base da bexiga, órgão muscular onde a urina é armazenada e
da qual sai a uretra que passa pelo interior da próstata e do pênis até
alcançar o meio exterior.
A próstata é um órgão insignificante se comparado ao tamanho
do corpo. Pesa 15 gramas nos adolescentes. Com o passar dos anos, porém, começa
a crescer e gera vários problemas que comprometem a qualidade de vida dos
homens mais velhos.
Quando essa glândula cresce e não invade os tecidos
vizinhos, ocorre a hiperplasia cujos sintomas são aumento na frequência das
micções e esforço para urinar. Nos casos de câncer, além do aumento do volume
da próstata, surgem nódulos que podem ser sentidos no exame de toque retal.
Diferentemente do crescimento benigno, o tumor pode não ficar restrito à
glândula e invadir os tecidos vizinhos.
2. Em caso de
diagnóstico de hiperplasia benigna da próstata, o que fazer?
De 80% a 90% dos homens apresentam crescimento benigno da
próstata. Isso provoca transtornos urinários que, se não comprometem a extensão
da vida, prejudicam sua qualidade. O homem com hiperplasia de próstata levanta
várias vezes durante a noite e, no dia seguinte, acorda cansado e indisposto. É
um quadro prevalente, importante em saúde pública pelas consequências que
acarreta.
Ao confirmar que o paciente tem um crescimento benigno da
próstata e não um câncer, o urologista precisa adotar uma conduta compatível
com a dimensão do problema. Alguns acham que o tratamento deve começar assim
que fazem o toque retal e percebem o aumento da glândula. Discordo um pouco
dessa orientação. Acho que o tratamento deve ser indicado para quem apresenta
sintomas físicos e tem a qualidade de vida comprometida por causa desse
crescimento benigno.
Se as dificuldades para urinar são pequenas e o homem
convive com elas, não se deve fazer nada. Caso contrário, é possível prescrever
medicação como a finasterida, por exemplo, que diminui um pouco o tamanho da
próstata, e os bloqueadores chamados alfa-adrenérgicos, que abrem o canal da
uretra. Esses remédios ajudam 50%, 60% dos doentes que passam a urinar e a
viver melhor. Infelizmente, não existe ainda nenhum remédio que faça a glândula
voltar às dimensões normais.
3. A partir de qual
idade o homem deve realizar exames para acompanhar a saúde da próstata?
O homem com casos de câncer na família deve começar a
investigar a partir dos 40 anos de idade. No mais, os exames da próstata podem
começar aos 50 anos. Primeiro passo é realizar o PSA, exame de sangue. Se o
nível de PSA estiver alto, deve-se combinar este resultado com o do exame de
toque retal. De 80%, a chance de diagnosticar câncer de próstata sobe para 90%
no segundo tipo de exame.
4. É possível o homem
notar qualquer anormalidade no dia a dia que indique chances de desenvolver
câncer de próstata?
No caso de diagnóstico, não dá para falar de sinais porque,
pensando assim, já seria um quadro avançado de câncer de próstata. O ideal é
identificar alterações na próstata antes de qualquer anormalidade ser notada.
5. Muitos homens
relacionam câncer de próstata a impotência sexual. Por quê?
O câncer de próstata não causa impotência
sexual. É o tratamento e, que fique bem claro, em alguns casos. A impotência é
mais comum de ocorrer após procedimentos cirúrgicos. Mas, hoje, há avanços em
drogas e próteses penianas para reverter este possível quadro.


